{"id":896,"date":"2025-06-20T10:10:04","date_gmt":"2025-06-20T13:10:04","guid":{"rendered":"https:\/\/primecafes.com\/?p=896"},"modified":"2025-06-20T10:10:04","modified_gmt":"2025-06-20T13:10:04","slug":"cafe-conilon-deixa-de-ser-coadjuvante-e-avanca-em-qualidade-e-mecanizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primecafes.com\/index.php\/2025\/06\/20\/cafe-conilon-deixa-de-ser-coadjuvante-e-avanca-em-qualidade-e-mecanizacao\/","title":{"rendered":"Caf\u00e9 conilon deixa de ser coadjuvante e avan\u00e7a em qualidade e mecaniza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Variedade, que j\u00e1 representa cerca de 45% da produ\u00e7\u00e3o nacional, ganhou espa\u00e7o no Brasil com aposta em novas tecnologias e aumento de pre\u00e7os no exterior<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Quinze anos ap\u00f3s o boom do\u00a0caf\u00e9 conilon\u00a0no Esp\u00edrito Santo, os produtores aproveitam os bons rendimentos para mecanizar suas lavouras e investir em qualidade. O Estado vem refor\u00e7ando sua fama de \u201cber\u00e7o do conilon\u201d com a descoberta de cultivares mais resistentes a problemas clim\u00e1ticos, pragas e doen\u00e7as, a renova\u00e7\u00e3o das lavouras e o apoio do aumento dos pre\u00e7os da variedade no mercado internacional.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso da fam\u00edlia Agrizzi, que cultiva 200 hectares de\u00a0caf\u00e9\u00a0em Sooretama (ES) e investe em manejo, m\u00e1quinas e beneficiamento do gr\u00e3o. Os Agrizzi, que est\u00e3o no ramo h\u00e1 42 anos, plantavam conilon apenas para exporta\u00e7\u00e3o, mas agora investem em qualidade para atender cafeterias gourmet e clientes mais exigentes, que aceitam pagar mais pelo produto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um momento de transi\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio, conta S\u00e1vio Agrizzi, produtor ao lado do pai, Domingos Agrizzi. O filho, da terceira gera\u00e7\u00e3o no\u00a0caf\u00e9, lidera a renova\u00e7\u00e3o de alguns talh\u00f5es. Ele tem implementado novas cultivares, todas elas com acompanhamento t\u00e9cnico e de pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 alguns anos, a fam\u00edlia come\u00e7ou a terceirizar a colheita para auxiliar o trabalho de 14 funcion\u00e1rios fixos. Os Agrizzi tamb\u00e9m compraram m\u00e1quinas recolhedoras, que carregam o\u00a0caf\u00e9\u00a0ap\u00f3s coletado manualmente, o que acelera o tempo que o gr\u00e3o leva para ir da lavoura ao armaz\u00e9m. Com isso, os contratos de vendas s\u00e3o cumpridos at\u00e9 antes do prazo, diz S\u00e1vio.<\/p>\n\n\n\n<p>Pai e filho destacam que as mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas e as experimenta\u00e7\u00f5es melhoraram o neg\u00f3cio e j\u00e1 servem de modelo na regi\u00e3o. Com as plantas carregadas, a colheita j\u00e1 est\u00e1 em 50% da \u00e1rea cultivada. Al\u00e9m disso, eles produzem o pr\u00f3prio adubo. O material nutre cerca de 800 mil plantas, que est\u00e3o distribu\u00eddas milimetricamente para que produzam mais, sem que seja necess\u00e1rio abrir novas \u00e1reas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na safra 2025\/26, o Estado deve colher 18,7 milh\u00f5es de sacas de conilon, um recorde, segundo o levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume, 28,3% maior que o do ciclo anterior, vai puxar o aumento do volume total da colheita de\u00a0caf\u00e9, que, segundo a estatal, ser\u00e1 de 55,7 milh\u00f5es de sacas.<\/p>\n\n\n\n<p>As proje\u00e7\u00f5es animam a ind\u00fastria de m\u00e1quinas. Luiz Antonio Vizeu, gerente de rela\u00e7\u00f5es institucionais do grupo Colombo, de Pindorama (SP), conta que produtores buscaram a empresa para criar um sistema que ajudasse na mecaniza\u00e7\u00e3o do conilon. \u201cAt\u00e9 2010, toda a colheita era manual. A evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica trouxe muitas vantagens, otimizando a colheita e a poda e liberando a planta mais cedo para a safra seguinte\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>No cultivo de conilon, a mecaniza\u00e7\u00e3o chegou tardiamente, mas foi o que contribuiu para a produtividade atual, de quase 140 sacas por hectare nas lavouras mais desenvolvidas. \u201cA mudan\u00e7a dos clones, de arquitetura de plantas, gera novos projetos de m\u00e1quinas para atender a esse novo sistema de produ\u00e7\u00e3o\u201d, conta Vizeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Agrizzi j\u00e1 conseguiram chegar a 90 sacas por hectare, e em alguns talh\u00f5es, ultrapassaram 100 sacas poro hectare. Eles atribuem o feito \u00e0 mecaniza\u00e7\u00e3o e ao planejamento de safra, o que inclusive rendeu a eles ganhos diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A fam\u00edlia j\u00e1 colheu caf\u00e9s de qualidade, que ultrapassaram 78 pontos no sabor da bebida, de acordo com o protocolo internacional da Specialty Coffee Association (SCA, sigla em ingl\u00eas), a maior associa\u00e7\u00e3o do setor dedicada \u00e0 qualidade do gr\u00e3o. Em geral, o pre\u00e7o dos caf\u00e9s pontuados \u00e9 de 10% a 20% maior do que o da commodity.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo F\u00e1bio Partelli, especialista da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES), em 2012, era imposs\u00edvel pensar em tomar um\u00a0caf\u00e9\u00a0100% conilon. \u201cO Estado despontou com rapidez, produzindo muito e com ado\u00e7\u00e3o de tecnologia de forma acelerada\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele avalia que o brasileiro est\u00e1 perdendo o preconceito com o conilon, que representava 25% da produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica de\u00a0caf\u00e9\u00a0em 2012 e atualmente responde por 45%. O Esp\u00edrito Santo \u00e9 exemplo dessa evolu\u00e7\u00e3o. No fim da d\u00e9cada de 1990, o Estado colhia 2,5 milh\u00f5es de sacas em 320 mil hectares. A \u00e1rea diminuiu, e hoje \u00e9 de 200 mil hectares, mas, com o aumento da produtividade, o volume j\u00e1 passa de 13 milh\u00f5es de sacas. \u201cA produ\u00e7\u00e3o aumentou em seis vezes, em uma \u00e1rea 15% menor\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>O perfil dos produtores tamb\u00e9m mudou. O cafeicultor de grande porte assimilou tecnologias de ponta, como sensores com intelig\u00eancia artificial. O pequeno, que lucrou mais nos \u00faltimos dois anos, come\u00e7a a comprar suas primeiras m\u00e1quinas, enquanto o m\u00e9dio busca planejamento para definir seus investimentos, diz Partelli.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A profissionaliza\u00e7\u00e3o dos jovens tamb\u00e9m contribuiu para o avan\u00e7o do conilon. Aos 24 anos, Jos\u00e9 Francisco Lima da Silva cursa mestrado na UFES para aplicar os conhecimentos na propriedade da fam\u00edlia, que planta em 20 hectares. Hoje, ele estuda formas de adotar um cons\u00f3rcio de conilon com seringueiras para deixar a fazenda mais resiliente.<\/p>\n\n\n\n<p>A UFES desenvolveu em 2023 o primeiro conilon espec\u00edfico para Minas Gerais, ber\u00e7o do ar\u00e1bica. J\u00e1 s\u00e3o quatro safras de testes, e duas novas cultivares para o Estado ser\u00e3o lan\u00e7adas neste ano. A ideia \u00e9 que o conilon se adapte a locais mais baixos, t\u00edpicas do ar\u00e1bica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Vizeu, os campos do ar\u00e1bica est\u00e3o suscet\u00edveis a extremos clim\u00e1ticos. Isso abre espa\u00e7o ao conilon, enquanto as pesquisas gen\u00e9ticas avan\u00e7am no setor.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/globorural.globo.com\/agricultura\/cafe\/noticia\/2025\/06\/cafe-conilon-deixa-de-ser-coadjuvante-e-avanca-em-qualidade-e-mecanizacao.ghtml\">https:\/\/globorural.globo.com\/agricultura\/cafe\/noticia\/2025\/06\/cafe-conilon-deixa-de-ser-coadjuvante-e-avanca-em-qualidade-e-mecanizacao.ghtml<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Variedade, que j\u00e1 representa cerca de 45% da produ\u00e7\u00e3o nacional, ganhou espa\u00e7o no Brasil com aposta em novas tecnologias e aumento de pre\u00e7os no exterior Quinze anos ap\u00f3s o boom do\u00a0caf\u00e9 conilon\u00a0no Esp\u00edrito Santo, os produtores aproveitam os bons rendimentos para mecanizar suas lavouras e investir em qualidade. 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