Embarques para o mercado americano foram equivalentes a 26,460 mil sacas de 60 quilos
A exportações de café solúvel do Brasil para os Estados Unidos caíram para menos da metade entre julho e agosto. A informação é da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). O resultado, segundo a entidade, é consequência da tarifa de 50% sobre as importações de produtos brasileiros imposta pelo governo de Donald Trump.
Os embarques para o mercado americano em agosto foram de 26,460 mil sacas de 60 quilos, retração de 50,1% em comparação com julho deste ano (53,010 mil) e de 59,9% em relação a agosto de 2024 (65,914 mil). O maior volume exportado neste ano foi registrado em abril, o equivalente a 74,924 mil sacas de 60 quilos.
“Essa queda brusca é muito preocupante e frustra a expectativa que tínhamos de quebrar novo recorde nas exportações de café solúvel em 2025, superando os 4,093 milhões de sacas do ano passado”, diz Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Abics, em nota.
Mesmo com a queda significativa nos últimos dois meses, os Estados Unidos se mantiveram como os principais importadores do café solúvel do Brasil em 2025. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o volume foi de 443,17 mil sacas de 60 quilos, 3,7% a menos que no mesmo período em 2024, de 460,09 mil.
Argentina, Rússia, Polônia e Indonésia completam a lista dos cinco maiores destinos do produto nacional no intervalo de janeiro a agosto. No comunicado, a Abics destaca o crescimento de mercados como Colômbia (+161,4%), Vietnã (+19,1%) e Malásia (+70,7%), países que também são produtores de café solúvel.
Os embarques totais de café solúvel em agosto foram equivalentes a 264,52 mil sacas de 60 quilos, baixa de 17,4% em comparação com agosto do ano passado (320,10 mil). No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o volume foi de 2,507 milhão de sacas, retração de 3,9% em relação ao mesmo intervalo em 2024.
“Esse desempenho já tem impacto do tarifaço de 50% imposto pelo governo dos Estados Unidos para a entrada do produto nacional no país”, afirma o executivo da Abics.
A queda no volume foi compensada pela alta nos preços, que elevou o faturamento dos exportadores brasileiros. Em agosto, a receita com as exportações de café solúvel foi de US$ 80,42 milhões, alta de 1,4% em relação a agosto do ano passado (US$ 79,30 milhões). Nos oito primeiros meses deste ano, o valor das vendas externas de café solúvel foi de US$ 760,77 milhões, 33% a mais que em 2024 (US$ 572,12 milhões).
“O crescimento se deve aos elevados preços do café como um todo, inclusive do solúvel, no mercado internacional, o que nos faz crer que poderemos superar US$ 1 bilhão em 2025, ultrapassando os US$ 950 milhões do ano passado e estabelecendo uma nova marca histórica”, projeta Lima.