O Espírito Santo é um dos principais produtores de café do país, uma vez que seu parque cafeeiro é constituído tanto por café conilon quanto por café arábica. O primeiro levantamento da safra de café 2026 no Espírito Santo indica um cenário positivo para a cafeicultura capixaba. De acordo com a Conab, a produção total do estado está estimada em 19 milhões de sacas, volume 9% superior ao registrado em 2025. Os números ainda são preliminares e poderão sofrer ajustes ao longo do ciclo produtivo, conforme a evolução das lavouras.
O resultado é sustentado principalmente pelo bom desempenho do café conilon, variedade na qual o Espírito Santo lidera a produção nacional, e pela recuperação do café arábica, impulsionada pelo ano de bienalidade positiva.
A produção de conilon está estimada em 14,9 milhões de sacas, crescimento de 5% em relação à safra anterior, favorecido principalmente pelas boas precipitações registradas no norte do estado. A produtividade média deve alcançar 55,2 sacas por hectare, enquanto a área cultivada é estimada em 269,4 mil hectares, equivalente a cerca de 70% da área nacional da variedade.
Já para o café arábica, a estimativa aponta produção de 4,2 milhões de sacas, aumento de 26,5% frente a 2025, refletindo a recuperação produtiva após o ciclo de bienalidade negativa. A produtividade média deve chegar a 32,6 sacas por hectare, com área estimada em 127,5 mil hectares, mantendo o Espírito Santo como o terceiro maior produtor nacional da variedade.
Na avaliação do secretário de estado da Agricultura, Enio Bergoli, os dados indicam um cenário favorável, mas ainda exigem acompanhamento ao longo do ciclo.
“Esta é a primeira estimativa da safra 2026 e, como ocorre todos os anos, os números podem ser ajustados conforme a evolução das lavouras. Ainda assim, o levantamento já sinaliza um cenário consistente, com bons indicadores de produtividade e área, em um contexto de mercado atento à oferta, aos preços e às condições climáticas”, destaca.
O café arábica concentra-se principalmente na região sul capixaba, onde as maiores altitudes e as temperaturas mais amenas favorecem o desenvolvimento da cultura. No início da fase reprodutiva houve oscilação das chuvas, e períodos de estiagem entre outubro e dezembro de 2025 reduziram a umidade do solo e dos reservatórios, gerando preocupação durante a floração e frutificação. Ainda assim, a maioria das regiões produtoras registrou de duas a três floradas satisfatórias.
A partir de janeiro de 2026, a regularização das chuvas contribuiu para a recuperação das lavouras que sofreram algum estresse hídrico. Como as temperaturas permaneceram mais amenas do que no mesmo período do ano anterior, a evapotranspiração foi menor, reduzindo a demanda hídrica das plantas e limitando os impactos da estiagem.
O café conilon, predominante no norte do estado, foi beneficiado pelas chuvas registradas desde agosto de 2025, que permitiram o início das floradas. Apesar de alguma irregularidade pluviométrica e de temperaturas mais baixas em certos períodos – o que provocou leve atraso inicial no desenvolvimento dos frutos -, as lavouras apresentam atualmente bom vigor vegetativo, enchimento uniforme dos grãos e condições gerais satisfatórias.
As chuvas mais volumosas de janeiro de 2026, associadas à atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), contribuíram para a recuperação dos níveis de umidade do solo e dos reservatórios, garantindo boas condições para a fase de granação.